Eu preciso fazer algo com a minha vida.
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Por que a gente se sente assim?
Talvez porque nos sentimos insuficientes…
Mas, por que será que nos sentimos insuficientes?
Por que há comparação: 'Quem eu sou x Quem eu penso que deveria ser'?
Mas…. Por que ‘deveria ser’?
Porque a sociedade instalou em nós uma imagem do que significa ter valor: sucesso, utilidade, reconhecimento, tornar-se alguém.
Aí eu pergunto,
Por que precisamos desta imagem? O que aconteceria se deixássemos tudo isso para trás?
Será que o futuro morreria? Por nos sentirmos sem valor, estáticos e sem movimento - sem nos tornarmos algo?
Pergunto novamente,
E por que isso seria um problema? O que aconteceria se o ‘se tornar algo’ acabasse?
O que acontece quando há quietude absoluta?
Mmm. Seríamos nada?!
Sem ação direcionada a ‘algum lugar’, aquele que age morre. E com o agente, toda a estrutura da identidade desmorona.
E o que acontece quando não somos nada? Quando não há agente tentando controlar e agir na vida?
…

Quando eu sou nada, eu me fundo com tudo. A vida deixa de ser um objeto separado de mim.
Eu me torno a própria vida.
O que permanece é o que estava aqui antes da história começar.
Respiração sem ambição. Olhar sem direção. Ser sem um currículo. Existência sem um destino.
Vida sem justificação.
Portanto, quando dizemos, ‘Eu preciso fazer algo com a minha vida,’ estamos, na verdade, sussurrando: ‘Tenho medo de ficar parado(a) e deixar o falso desaparecer. Tenho medo da morte que me traz de volta para casa - à plenitude.’
Então, o sentimento ‘Eu preciso fazer algo com a minha vida’ não é um chamado à ação. É o momento em que a consciência esquece de si e confunde uma história de incompletude com a verdade; a história de alguém separado que precisa provar que existe, e ganhar o direito de existir.
Não precisamos fazer algo com a vida. A vida já está sendo feita em você.
A exaustão que sentimos não se deve à inatividade. Ela surge por carregarmos o fardo falso de sermos 'aquele que age', alguém que acredita que deve ganhar o direito de existir.
Não precisamos nos tornar nada para termos permissão para estar aqui. Na verdade, esta é a única forma de estar Aqui de verdade. Aqui é paz. Aqui é liberdade. Aqui é amor. Aqui é beleza. Aqui está tudo o que buscamos quando o buscador morre.
E no momento em que deixamos este ‘se tornar’, no momento em que nos separamos da existência, nos tornamos incompletos. Olhamos para o futuro, olhamos para lá. E lá há luta; lá há conflito; lá há competição; lá há esforço; lá há ilusão. Há uma sede infinita que nada mundano pode satisfazer. Porque a nossa sede é espiritual, não material.
Não há nada para ser encontrado do lado de fora.
Ainda assim, todos estão embriagados com alguma coisa. Para alguns, é dinheiro. Para outros, fama ou poder. Para ainda outros, família. E outros, experiência.
Não importa o que façamos com as nossas vidas, ainda há um vazio à espreita por baixo de tudo. Todo caminho mundano termina em dor. Rei ou bilionário - não faz diferença. E é exatamente isso que a dor está tentando nos ensinar: a ficar em silêncio e a voltar o olhar para dentro.
Aquele que busca um futuro se distancia da vida e chama essa distância de propósito.
Aquele que deixa o futuro se revelar permanece dentro da vida e chama esse momento de amor.
Onde aquele que se esforça se cala, o Caminho se revela sem direção.
Onde a mão liberta o futuro, o presente se abre como eternidade.
Onde o agente termina, o medo termina.
Onde o medo termina, apenas o que é permanece.
Onde o agente mergulha na quietude, o amado permanece descoberto como todas as coisas.
Não busque a chegada.
Não deseje o tornar-se.
Pois aquele que busca é o véu, e a queda do véu é o amor.
Isso não é algo em que você se torna.
Isso é o que você É.
Um beijo,
Tatiana
🌷
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