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Opostos. Será?

O que o Yoga tem para te dizer sobre o Marketing?

Opostos
Se retire, silencie, e observe.

 

Ei, você, tudo bem?

 

Se você é novo por aqui, deixa eu me apresentar:

Sou Tatïana, e minha jornada nesta vida tem sido de muito aprendizado e estudo.

Faz parte da minha natureza, sabe? Sou daquelas pessoas inquietas e naturalmente curiosas, que vai em busca do porquê das coisas...

 

E a curiosidade me levou para o caminho da espiritualidade, que na verdade não é um caminho, mas diversos, embora levem ao mesmo lugar: Deus.

 

Embora eu pegue alguns desvios às vezes, porque para algumas questões eu preciso de perspectivas diferentes, meu caminho mais constante e robusto tem sido o Yoga.

 

Vivo uma vida de Yoga há + ou – 20 anos, arredondando para baixo.

E se você quiser saber um detalhe... não! Eu não pratico posturas todos os dias. Na verdade, passo por períodos bem longos sem fazer qualquer uma delas.

 

É isso que muita gente ainda não sabe, as posturas são a parte da ‘ginástica’ da prática de Yoga, que chamamos Yogasanas. Mas quando aprendemos a essência do Yoga, podemos usar qualquer forma de exercício físico saudável do mesmo modo que usamos as posturas.

 

Um dos significados do termo Yoga (que vem da raiz sânscrita Yug) é união, conexão, e tá aí um ponto importante que hoje, com toda essa tecnologia e aulas online, a maioria de nós não sabe, ou esquece: Yoga só acontece quando há relação!

 

Por quê?

Porque união/conexão só existe em relação com algo/alguém.

Para o Yoga começar é fundamental que se tenha uma conexão com um Professor. Apenas através da relação, da conexão e do convívio com um Professor é que temos a oportunidade de adentrar o Universo do Yoga.

 

Por quê?

Porque desde que o mundo é mundo, nós precisamos de modelos. Já pensou que a gente nasce e tem uma mãe e um pai que cuidam de nós, que são nossos professores e nos servem de modelo, para praticamente tudo? E que são mais sábios do que nós?

A união com eles é o nosso Universo. Eles são os primeiros Gurus que temos.

Só através do convívio a gente apreende, menos pelas palavras e muito mais pelos comportamentos e atitudes.

... Só queria te colocar na atmosfera adequada do Yoga para escrever sobre o que eu pretendia neste texto, caso contrário ficaria gigantesco.

 

O estudo do Yoga e a sua prática não podem ser separados, se o for, não é Yoga.

Yoga pressupõe o estudo de alguns valores muito importantes, e universais.

Basta você saber o que significa cada um? Não!

 

Claro que é bom que saibamos o que significa cada um dos princípios, mas só conhecê-los intelectualmente não te faz um Yogī, ou Yoginī. O que nos torna praticantes de Yoga é viver cada um dos princípios.

Aí, o papo vira ‘conversa de gente grande’.

 

Eu queria trazer dois dos princípios hoje aqui, porque durante a minha prática eles se mostram sempre muito contrários, opostos, a uma atividade muito intensa e cada vez mais estimulada na nossa sociedade.

 

Pratyāhāra e Dhāraṇā – afastar-se daquilo que nutre os sentidos (ou restrição dos sentidos), e habilidade de direcionar a mente e sustentá-la no seu foco.

 

Coloquei os dois princípios juntos porque, de certa forma, um implica o outro, e vice-versa. É difícil a dissociação deles.

 

Esses dois princípios são necessários para conhecermos quem realmente somos, e a medida em que os ‘exercitamos’ entendemos como nossos sentidos e nossa mente se comportam.

 

Quando começamos a nos atentar para nossos sentidos e nossa mente, percebemos como nossa atenção é captada por diversas coisas no mundo a nossa volta: às vezes coisas positivas que nos fazem entender mais sobre quem somos, e nos auxiliam de alguma maneira; outras vezes, coisas negativas que só nos fazem perder tempo, energia, e que até nos afastam da nossa essência.

 

O objetivo dessa dupla, resumidamente, é nos ensinar a ter controle sobre nossos sentidos e a partir daí fazer escolhas adequadas ao longo da vida, que nos aproximem de quem somos, que nos aproximem da nossa origem: Deus.

Quando temos controle, o nome já diz, controlamos, quando não temos, nos tornamos escravos dos nossos sentidos e da nossa mente, sempre em busca da tal satisfação dos desejos. (não vou me aprofundar nesse aspecto).

 

E aí entra o conflito.

 

Quando praticamos os princípios começamos a entender o seu funcionamento, percebemos primeiro um grande incômodo, e depois uma calma diferente; e então, quando percebemos a sua importante função e valor, há um choque com algo muito estimulado na nossa sociedade: o Marketing.

 

Você já parou para pensar que muitas coisas que você deseja ter ou ser, não seriam desejo se você não tivesse entrado em contato com algum tipo de propaganda?

 

Antes de responder a essa pergunta pense...

 

Enquanto você reflete, vou te contar uma história.

 

Quando minha filha tinha 5, 6 aninhos, nós tínhamos televisão em casa, e assistíamos alguns programas em dias específicos para diversificar um pouco a nossa rotina. E eu comecei a notar que sempre que assistíamos aos programas infantis que ela gostava, ela me pedia um monte de coisas/brinquedos diferentes, e logo depois se esquecia da maioria, mas não todos.

 

Eu comecei a observar as propagandas que apareciam nos intervalos dos programas, e quais se repetiam. As que se repetiam eram justamente as das coisas/brinquedos que ela não esquecia.

 

Resolvi fazer um teste. Nós selecionamos alguns filmes infantis que ela gostava muito e eu os comprei. Sabe aqueles anos em que as crianças repetem 500 vezes os mesmos filmes e histórias? Pois é, era essa fase, então me favoreceu.

Comprei os filmes, e coloquei o teste em prática: em vez de assistirmos aos canais da TV a cabo, víamos os filmes, sem intervalos ou propaganda.

 

Sabe o que aconteceu? Ela simplesmente parou de pedir aquele monte de coisas que pedia após ver as propagandas. E passou a pedir brinquedos bem mais interessantes com os quais entrava em contato quando brincava com outras crianças, e várias vezes, em consequência da sua imaginação, criava seus próprios brinquedos.

 

Se você acha que isso só aconteceu porque ela era uma criança pequena, experimente não ver revistas de moda, ou mexer nas redes sociais por um mês e veja o que acontece com você. (Eu poderia descrever várias observações e/ou mudanças, mas prefiro que você as experimente, pois é muito mais real e eficiente).

 

Mas... Onde eu quero chegar?

O Marketing, afinal, é algo ruim?

 

Eu não vou dar a minha opinião sobre se o Marketing e a Propaganda são algo bom ou ruim, porque é minha opinião e, talvez, só se encaixe ao meu estilo de vida e valores. No entanto, é óbvio que escrevo este texto com um objetivo.

 

Gostaria de deixar um alerta:

Hoje, tudo na nossa sociedade se movimenta através da propaganda e do marketing, basta abrirmos o Instagram, o Facebook, o Tiktok, o Youtube etc, a TV, que atualmente está em baixa também sobrevive disso, para sermos bombardeados com ideais e milhares de promessas sedutoras que captam espertamente os nossos sentidos. Vale lembrar que tanto a Propaganda quanto o Marketing são bastante pautados em estudos psicológicos, e tem uma razão para isso.

 

Eu queria saber de você se posso te fazer uma sugestão. Ao entrar em contato com os meios de comunicação atuais e se perceber querendo coisas, se comparando, querendo ser como fulano ou cicrano, pergunte a si mesmo se o seu desejo é seu ou se está sendo induzido.

Depois questione se você realmente precisa do tal ‘objeto’ ou ‘objetivo’ do desejo.

Isso te acrescenta como pessoa?

Te faz crescer, ou é só para mostrar, para status?

 

Decida-se e persiga o seu objetivo depois de se demorar nestas perguntas. Você não vai se arrepender.

 

Sabe, a vida tem um ritmo bem mais natural. Aquilo que precisa chegar até você, chegará. Aquilo que você precisa aprender ou desenvolver, chegará até você de modo natural, seja como ajuda ou desafio.

 

Acredite.

Tem alguém muito inteligente que coordena tudo o que acontece em nossas vidas. E Ele criou cada um de nós para um fim específico. Não é para todos sermos iguais, termos as mesmas habilidades ou talentos. Cada um é único, e seu dever é expressar sua singularidade.

 

Nenhuma gota de chuva cai no lugar errado.

Tenha fé.

 

Espero que esta reflexão sejam palavras que você estava precisando ler ou ouvir. E que te iluminem em seu caminho.

 

Beijo na testa,

Tatïana.

 

P.S: Se você tem algum assunto sobre o qual gostaria que eu falasse, deixe nos comentários aqui embaixo, ou me envie pelo IG, @pleaseblossom, (o que preferir), se estiver ao meu alcance, responderei com prazer.

 

 

 

 

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2 Comments

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Guest
Feb 28
Rated 5 out of 5 stars.

Cara, adoro seus textos! Me fazem pensar um montão de coisas. Faço aula de yoga há um bom tempo e nunca tinha pensado nisso. Mais, mais, mais...

Obrigada!

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Unknown member
Mar 01
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Ahhh que bom saber disso! Fico feliz com o fato de conseguir promover boas reflexões. Mais textos virão, com certeza. Mas, caso deseje que eu escreva sobre algum assunto do seu interesse, deixe aqui e, se estiver ao meu alcance, falarei dele sobre a perspectiva das Ciências Védicas.

Ah, e obrigada pelo carinho e tempo que tirou para escrever aqui, são muito apreciados.

Um bom fim de semana para você. 💚

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