Quando ‘Praticar' se torna um produto.
- há 17 horas
- 2 min de leitura
Será que toda uma indústria de Yoga construída em torno do ‘fazer' nos fez esquecer a essência de ‘Ser’?

O Yoga popular é baseado no termo prática - o fazer, o esforço, a modalidade, a técnica…
A noção ‘Yoga é prática’ mantém as rodas da indústria do Yoga girando. De ashrams aos estilos de yoga, de formações de professores às redes sociais, todos querem ensinar como fazer…
Porque apenas Ser não vende. (Por gentileza, pause e reflita sobre isso)
Uma geração inteira que já está aprisionada no modo 'ataque ou fuja’ recebe infinitas ofertas de técnicas e o que fazer - empurrando-a ainda mais para a exaustão, ao medo de estar perdendo algo (FOMO - Fear Of Missing Out) e à confusão.
Atualmente, qualquer coisa e tudo pode ser apresentado com o termo Yoga como prefixo para ‘inovar' mais uma maneira de fazer.
Será que você ainda é um professor de Yoga se ainda não ensina de modo híbrido?
Essa é uma pergunta que me faço vez ou outra. Porque a pressão é intensa.
Acreditar no que vivo e estudo e ensinar de forma simples e natural, nesse ambiente ‘industrial e consumista’, é estar fora de moda, e ser desvalorizado.
Então a pergunta que fica é:
Yoga se trata apenas de fazer??
Bem, tradicionalmente, Yoga não se trata de prática apenas.
Dá-se igual importância a Vairagya - desapego; junto com Abhyasa - prática e comprometimento. (Prática do desapego) E prioriza-se Bhava - Ser; não apenas Kriya - fazer.
Mas como disse antes:
Vairagya (desapego) não vende!! (Por gentileza, pause e reflita sobre isso)
Quem pratica pode se ver, com frequência, preso na busca automática por acumular técnicas - devido ao tédio, ao medo de perder algo, ou à ansiedade de olhar para dentro, ou ainda outro: para ser socialmente relevante em um mundo em que Yoga é constantemente reinventado para atender às modinhas.
Porém, ao caçar a próxima técnica da moda, esquecemos que Yoga nunca foi colecionar mais meios de fazer, mas de desvelar a estabilidade de Ser.
Alguém pode dizer que fazer leva a ser, mas isso não é inteiramente verdadeiro. Um fazer incansável pode facilmente se tornar a roda do ratinho, que nos mantém ocupados sem nos aproximar de quem somos.
Ser, em contrapartida, não é resultado de esforço; é um estado sutil de consciência que precisa ser sintonizado, pacientemente, através da sinceridade, da quietude e da presença.
Eu sei, são fatos desconfortáveis que eu trouxe hoje. Mas quando começamos a nos abrir para eles, uma nova visão, e portanto, a possibilidade de uma nova realidade, surgem.
Te desejo abertura e aceitação!
Um beijo,
Tatiana 🌷
Por favor, compartilhe.
P.S: A opção de curtir o texto não está habilitada porque curtidas não dizem muito. Se este texto te tocou de alguma maneira, por favor, deixe um comentário. Eu gostaria muito de te ler/ouvir. ♡



Comentários