top of page

Aquilo que controla a sua atenção controla o seu Yoga.

  • há 13 horas
  • 2 min de leitura

Yoga sempre adaptou-se às mudanças do tempo. A diferença, hoje, quando se trata de yoga popular não é a mudança em si, mas quem a conduz.

A narrativa é menos baseada no propósito e mais no consumo, na venda. Menos baseada na Verdade e mais baseada nas modas.


O Yoga comoditizado (uma commodity) precisa modificar suas histórias constantemente para permanecer lucrativo:  de fitness à terapia, de ciência do movimento ao mindfulness, de regulação do sistema nervoso à manifestação. Nos últimos 20 anos mais ou menos, o yoga teve que ser reinventado na cultura popular como nunca antes, apenas para se manter vendável.


Entenda. Modificar as histórias não é errado. O problema é a substituição, em que benefícios secundários, silenciosamente, substituem a objetivo central, e último, do Yoga.


Quando a direção é estabelecida pelos lucros, o Yoga se deforma de auto-transcendência para autoindulgência, alimentando o ego em vez de questioná-lo. Trocando liberação por gratificação.


A defesa mais familiar é “nem todo mundo busca liberação”.

Isso é verdade. E até um tanto fácil de observar.

Mas essas afirmações, ou justificativas, são uma desculpa fácil, que provam como o yoga foi reformulado para envolver as pessoas com o que elas podem consumir, e não com um lugar onde elas possam despertar.


Enquanto a indústria dita como o Yoga deve ser visto, ensinado e valorizado, através dos algoritmos, e enquanto professores de Yoga são treinados para dançar em reels etc apenas para sobreviver à economia da visibilidade, nós começamos a igualar legitimidade com alcance, conhecimento com desempenho, e verdade com popularidade - permitindo que o Yoga siga em direções escolhidas por aqueles que controlam a atenção.


E adivinha quem controla a nossa atenção?


A visão original de liberação do Yoga baseada em Vairagya (desapego) perturba a necessidade de acumulação e identidade, e isso não mantém os caixas das empresas girando e tilintando.

Logo, o mercado capitalista força uma amplificação do Yoga que engaja, aumenta e preserva o ego em vez de dissolvê-lo. E dita como devemos nos dobrar e respirar, embalando as Gitas do Yoga em um atalho para a prosperidade, reduzindo o Yoga de Patanjali a um programa de fitness.


Se a autoridade está nos modelos de receita/lucro orientados pelo consumo, yoga se torna uma mercadoria experiencial com fins lucrativos. Se reside na busca da verdade guiada pela sinceridade, yoga permanece o que sempre foi: um espelho que revela a natureza de quem a vivencia. Por mais desconfortável que seja esta visão.


A pergunta que fica então é:

Será que estamos preparados para este desconforto como consumidores de yoga?


Este texto talvez não seja um de fácil leitura para muitos. Ele traz pontos desconfortáveis sim.

Eu sei. Também já senti isso. E valeu à pena. Cada momento.


Que o fogo do conhecimento nos transforme.
Que o fogo do conhecimento nos transforme.

Hoje eu te desejo coragem.

Para sentar com o que te desconforta.

E aprender o que precisa com isso.


Um beijo,

Tatiana.

🌷


Por favor, compartilhe.



P.S: A opção de curtir o texto não está habilitada porque curtidas não dizem muito. Se este texto te tocou de alguma maneira, por favor, deixe um comentário. Eu gostaria muito de te ler/ouvir. ♡

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page